segunda-feira, 24 de julho de 2017

Biblioteca D.Manuel Vieira Pinto 5





Quando falta a dignidade na política!
 O manobrismo dos deputados municipais do MDM

Ainda continuo à espera que o senhor Américo Costa, chefe da bancada do MDM na AM de Nampula me forneça, como prometeu em SMS, a declaração política proferida na sessão de 4 de Abril passado, quando, por abstenção, assim aproveitando o voto contra da Frelimo, optou por não viabilizar, de imediato, a atribuição do nome do nosso Arcebispo Emérito, Manuel Vieira Pinto à futura – e a criar – Biblioteca Municipal.

Entretanto fui contactado por SMS pelo mesmo senhor deputado, no dia 23 de Junho, que pretendia avistar-se comigo para "falarmos frente a frente". Porém, no mesmo dia me dizia que, estando na sede da Delegação do seu partido na cidade de Nampula, estava sem transporte. Um chefe político sem transporte? Apesar dos limites da minha saúde naqueles dias devido a uma malária, dispus-me a recebê-lo na minha casa, no Marrere, lembrando-lhe que os transportes municipais, - vulgo “mopoli” – estavam a funcionar. Nunca mais o senhor reagiu.

Entretanto, via media, chegou ao meu conhecimento a recente nota de imprensa que o MDM-Nampula divulgou a respeito do mesmo assunto.

Partilhei esse comunicado com dois altos quadros do MDM. Ambos reagiram.
Um disse:
“Muito obrigado, pela partilha. De facto, trata-se de um argumento a que se ajusta, como uma luva, o vetusto dito de que ‘foi pior a emenda que o soneto’. Há, de facto, uma ausência total de sentido do bem público e um fundamentalismo partidário e sectário que devemos, a todos os níveis, géneros e tipos, condenar com veemência”;
E o outro disse:
“Concordo com a sua leitura. Fiz chegar à liderança do Partido. Aliás, em Abril, exarei uma carta à direcção do partido onde manifestava a minha discordância em relação à posição da Bancada da Assembleia Municipal”. 

 Relativamente ao Comunicado agora difundido, que contém alguns argumentos coincidentes com os da Frelimo, como seja a consulta à sociedade civil e à Igreja Católica (creio que querem dizer à Arquidiocese de Nampula), remeto os  leitores para as apreciações que já fiz antes a propósito. 

Permito-me, apesar de tudo, informar que, apesar de apenas por motivos de delicadeza e cortesia ter sido consultado, desde a 1ª hora este projecto teve o assentimento do então Arcebispo Tomé Makhweliha que acabaria por o formalizar em carta escrita
.
Reiterarei que não vale a pena tentarem emendar a mão os que, à partida, enxovalharam o nome de Manuel Vieira Pinto abusando dos seus poderes políticos e regimentais. Deveriam ter o seu alegado respeito por esta gigante figura da nossa história recente ultrapassando as quesílias e birras das suas politiquices.

Se é verdade que o Presidente Amurane podia ter ganhos políticos com este projecto, não é menos verdade que com a sua recusa, estes políticos arriscam-se a desperdiçá-los. Todas as forças políticas teriam a ganhar apoiando, sem restrições, tal proposta. Não o ter feito é, a meu ver, miopia política que se pagará, porque Vieira Pinto AINDA está no coração do Povo!


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Biblioteca D. Manuel Vieira Pinto 4

Para uma informação mais cabal, e enquanto me não chega a Declaração Política do MDM (que me está prometida) é de toda a justiça e conveniência que se publique a opinião do Partido Humanitário de Moçambique - PAHUMO - notável pela nobreza e a coerência da sua atitude, distinguindo bem a envergadura do homenageando das tricas políticas.

Abaixo insiro os 2 textos que me foram fornecidos pela sua representante na Assembleia Municipal, Filomena Muturopa.




Fundamentação da Proposta de Nome da Biblioteca Municipal Dom Manuel Vieira Pinto 

Lida atenciosamente a fundamentação da proposta de nome da biblioteca Municipal Dom Manuel Vieira Pinto, do seu historial durante os 34 anos como filho Moçambicano e de Deus, e que abraçou e ajudou na luta pacifica contra o regime colonial em defesa da autodeterminação do Povo Moçambicano . 

. Pela iniciativa trazida no pensar para o reconhecimento do nome Dom Manuel Vieira Pinto, é lógico para a Bancada PAHUMO, porque vem num momento exacto da reflexão que a Igreja Católica procurou e procura em busca da dignidade do homem que cada dia está se perdendo o seu valor. E ai aparece o Pahumo como solução de resgatar a dignidade do homem.

Nampula ao 4 de Abril de 2017


DECLARAÇÃO DO VOTO
A Bancada do PAHUMO considera justo que o município de Nampula procura dar visibilidade à figura deste grande Nampulense de etnia maioritária do Povo moçambicano em especial a província de Nampula, de adoção e coração em Cristo.
De facto é de nosso conhecimento e sabedoria que em Cristo o Dom Manuel Vieira foi um homem que:
- Apoiou na luta pacífica travada contra o regime colonial em defesa da libertação do povo moçambicano;
- Os esforços empenhados por ele após a independência para busca de caminhos de algo para o fim da guerra civil;
- O empenho de Dom Manuel Vieira para a extensão do Ensino Superior para zona Norte do Pais, o que culminou cor a instalação da Universidade Católica em Nampula em que era uma pedra no sapato, mesmo com outras Universidades UP mesmo após a independência era difícil a sua Instalação. Por isso, Voto Favorável.

Nampula ao 5 de Abril de 2017
 

terça-feira, 13 de junho de 2017

Biblioteca D. Manuel Vieira Pinto 3





 Reagindo à declaração da bancada da Frelimo


Tal como já disse anteriormente, continuo a pensar que a bancada da Frelimo na Assembleia Municipal de Nampula perdeu uma excelente ocasião de provar, sem qualquer sombra de dúvida, aquilo que afirma: “respeita a pessoa do Dom Manuel Vieira Pinto, reconhece os seus feitos e préstimos dados ao país em geral e à Província e Cidade de Nampula em particular”.

Concedo que a Frelimo tem alguma razão ao criticar o executivo municipal por se ter distraído no tratamento atempado dos procedimentos regimentais, não tendo apresentado o assunto à AM há mais tempo, pelo menos antes que tivesse aparecido a placa indicando o lugar da sua construção o que induziu a pensar-se que tudo estava nos conformes. Mas é estranho que durante todos os meses que tal placa lá está ninguém tivesse interpelado o Conselho Municipal.

Porém, uma coisa é aprovar um nome a atribuir à Biblioteca a criar e, tanto quanto soube, era apenas e só isso que se pretendia, outra coisa são os outros aspectos correlativos: registo notarial, projectos arquitectónicos, fontes de financiamento, etc, etc, coisas que, naturalmente, só se consideram, publicamente, depois da existência concordada, pela entidade competente, neste caso, a AM.

Ter avançado com a ideia da proposta de criar uma Biblioteca Municipal a que se atribuiria o nome do nosso ex-arcebispo, Manuel Vieira Pinto cuja grandeza humana, pastoral e política é indiscutivelmente reconhecida – e pela declaração do Dr Kulyumba confessada –  parece mais do que sensato. Bastaria consultar os testemunhos já publicados de personalidades de alta  reputação como o ex-presidente Joaquim Chissano, o ex-Primeiro-Ministro, Mário Machungo, e o testemunho do escritor Mia Couto.

Em assunto de tão evidente consenso social e político (sei que todos os deputados reconhecem a envergadura do homenageando), parece-me demagógico estar a defender que “é preciso promover uma auscultação pública envolvendo todas as sensibilidades e todos os extractos sociais: académicos, anciãos, líderes comunitários, etc.”. Seria um puro exercício burocrático de legalismo regulamentar e político. Desnecessário e, por isso, inútil. Perda de tempo.

Será que o Povo moçambicano, do Rovuma ao Maputo (e já não acrescento do Zumbo ao Índico) foi consultado para se apor o nome do hoje controverso ex-Presidente da República à ponte sobre o rio Zambeze entre o Caia e a Zambézia? E se o tivessem referendado, será que se constataria tão evidente consenso como o de Vieira Pinto? Haja bom senso. Tudo tem os seus limites e circunstâncias. Não são os deputados  representantes bastante para tomarem uma decisão de evidente consenso público? Claro que são!

Pergunta ainda o Dr Kulyumba qual o motivo da pressa. Qualquer pessoa minimamente cidadã pode discernir até mais do que um motivo... Um deles, porventura não sendo politicamente o mais relevante, poderá ser o de querer, de algum modo, ainda no presente mandato municipal, resgatar o esquecimento que, afinal, já se estende por alguns anos.

Afinal, desde 1998 que o Município de Nampula existe. É verdade que à estrada que desce para o Bairro do Namicopo foi atribuído, oportunamente, no tempo da presidência do Dr Chereua, o nome do D. Manuel.

Mas que foi feito nesta cidade, após a sua retirada, em Março de 2001, para enfatizar e rentabilizar tal figura e o seu património intelectual, social, cultural e político, não esquecendo, obviamente, o seu domínio mais específico, de natureza religiosa e pastoral, alicerce de todas as suas atitudes? Não foi a Frelimo, anos a fio, a gestora deste Município, até 2013?

Como acima refiro, tem todo o sentido criticar o executivo municipal pela distração em ter avançado com a publicitação da localização da futura biblioteca sem ter cumprido o elementar procedimento junto da competente Assembleia Municipal. Por inadvertência, “pôs-se a carroça à frente dos bois”. Mas que prejuízo real daí adveio à cidade?

Aproveitar este anódino deslize legal, que, a meu ver, poderia ter sido devidamente escalpelizado em sede de assembleia, para nem sequer permitir que o assunto fosse agendado é, a meu ver, e dito em linguagem popular, politiquice; é desqualificar a dignidade e a nobreza da Política que, no dizer do Papa Francisco - de quem Manuel Vieira Pinto foi um magistral precursor nas terras moçambicanas - embora tão denegrida (e por culpa de quem, pergunto eu?)  é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum”.

 Claro que aos deputados do MDM eu assaco iguais críticas mais uma: como já disse antes, abstendo-se, têm a atitude hipócrita de Pilatos para com a morte de Jesus Cristo “Estou inocente do sangue deste Justo”!

Deixo-vos um desafio: tratem de desagravar, quanto antes, aquilo que ofenderam: a figura de Vieira Pinto e a vossa própria dignidade política. Errar é humano! Mas emendar-se também o é. Para os homens e mulheres de alma grande e honra por inteiro.